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Aniversário e a importância de reconhecer a individualidade

Nesse final de semana viajei 560km para o aniversário de minhas cunhadas, elas são gêmeas e fizeram 9 anos no sábado.

Enquanto viajava pensava em como nós valorizamos a data de aniversário, principalmente na infância mas também na vida adulta e o quanto essa data comemorativa é diferente das demais pelo fato de ser destinada a celebrar a pessoa (ou duas nesse caso) próxima a nós.

Comemorar a vinda desta pessoa ao mundo, a mais um ano que passamos junto a ela, relembrar seu nascimento, sua história, pensar nos seus gostos e interesses para a hora da decoração, das comidas e dos presentes, pensar na sua personalidade para organizar este dia ao seu agrado.

Diferente do dia ‘das crianças’, ‘das mães’, ‘dos pais’, ‘do natal’, ‘da páscoa’, ‘da independência’, o aniversário é a sua própria data comemorativa personalizada.

Refletindo mais um pouco pensei em algumas crianças que ficam super eufóricas no dia do seu aniversário, em especial uma que fez parte das minhas primeiras experiências como educador e que me fez questionar se eu realmente iria seguir este caminho. Era meu segundo dia com aquele grupo e um dos garotos estava fazendo 10 anos naquele dia, eu o cumprimentei, abracei e segui com as explicações, mas ele estava muito agitado e ficou andando de um lado para o outro da sala, um outro menino que não estava conseguindo se concentrar com aquela agitação pediu para que ele parasse e levou um xingão, sem saber muito bem o que fazer pedi para que ele me acompanhasse e o levei até a professora que era minha anfitriã naquela escola. Mais tarde ela junto com a mãe me contaram que os pais dele já estavam sem paciência com tantas ocorrências e mau desempenho acadêmico, mas que o pai teve uma tática, prometeu a ele um vídeo game de aniversário, ai o motivo da agitação.

Essa criança, assim como várias outras que já observei, seguem o mesmo padrão de falta de reconhecimento cotidiano (muitas vezes só sendo nomeados os seus defeitos e faltas) e overdose de reconhecimento e recompensas no dia do aniversário, esse descompasso é que provavelmente um gerador da euforia e descontrole. Ao mesmo tempo que esta data é ótima para nos lembrar e celebrar a individualidade, precisamos de cautela para que esse reconhecimento da individualidade seja algo constante e equilibrado na vida da criança.

Depois de ter descoberto tudo isso, sinto que gosto mais dos aniversários, também que quero comemorá-los melhor, não pensando que são um ano a mais ou a menos, mas que são dias personalizados para o (auto) reconhecimento individual.

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