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O mito dos gênios e o autodidatismo

Albert Einsten, Leonardo da Vinci, Marie Curie, Bill Gates e Santos Dumont são algumas das pessoas lembradas por duas características: gênios e autodidatas.

Mas será que a sua genialidade os permitiu serem autodidatas?
Ou foi o seu autodidatismo que os tornou gênios?
E ainda: Seriam eles autodidatas por vontade ou por necessidade?

Segundo o dicionário, gênio indica algo ou alguém com aptidão natural pra algo; dotado de um dom; indivíduo com extraordinária capacidade intelectual. Porém, diversos estudos neurológicos e sociais já provaram que o dom ou o ‘talento inato’ são um mito, o fato é que a capacidade de se tornar um gênio em uma determinada área é muito mais afetado pelo ambiente e pelas condições necessárias para esse talento se desenvolver.

Autodidata é aquele que se instrui por conta própria, sem o apoio de mestres, buscando suas próprias fontes de conhecimento e desenvolvendo suas habilidades muitas vezes a partir de uma metodologia própria.

Agora conectando estas informações, você consegue responder as questões do início do texto?

Conhecendo a biografia destas celebridades intelectuais e observando os processos de aprendizagem autodirigida de crianças percebo algumas características que possibilitam a todos desenvolver a sua genialidade e infelizmente, também percebo o quanto desperdiçamos gênios com o nosso sistema educacional convencional.

Isso porquê a genialidade em alguma área do conhecimento se desenvolve a partir de longas horas de dedicação a este tema e as condições necessárias que permitem que esta dedicação focada aconteça.

A grande diferença entre o estudo dos “gênios autodidatas” e dos estudantes convencionais é que o primeiro grupo é de pessoas teimosas o suficiente com suas curiosidades a ponto de não aceitarem que as convenções escolares apaguem suas motivações individuais e quando tem as condições necessárias para desenvolver seus interesses, se tornam não só ótimos em suas áreas, como também ótimos conhecedores do seu próprio processo de aprendizagem. Alguns abandonam as escolas formais, outros passam por aqueles anos aceitando suas notas medianas e ainda há aqueles que tem resultados excelentes no sistema formal, mas todos acabam por desenvolver suas genialidades em períodos extracurriculares.

Não quero apontar aqui que todos os indivíduos devem encontrar interesses específicos e se concentrarem incansavelmente nestas áreas até se tornarem extraordinários, há aqueles que alteram seus interesses periodicamente, outros também que preferem a amplitude dos conhecimentos mesmo que de forma generalista. O que trago aqui é que, se aqueles considerados os gênios intelectuais foram essencialmente pessoas que tiveram que desenvolver seu intelecto de forma autodidata porquê não havia espaço para isso no sistema escolar, aliado ao fato de que a genialidade inata já foi invalidada e desmistificada, devemos parar de olhar para estes indivíduos como exemplos de superação e nos atentar para essa falha do sistema educacional.

Possibilitar ambientes e suporte à aprendizagem autodirigida é também permitir que cada um encontre a sua melhor forma de aprender. A genialidade inata é um mito, enquanto a capacidade natural de aprender é um fato comprovado, mas esse aprendizado fluído só acontece quando temos interesse, necessidade e possibilidade aliados. São estes momentos que buscamos nos espaços de aprendizagem autodirigida e assim é que eu observo ser uma escola de gênios, não necessariamente grandes gênios da humanidade, mas gênios do seu próprio aprendizado, seres mais aprendentes e que expressam a sua individualidade genial.

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